F1: Drive to Survive - Qual temporada é a melhor?

março 05, 2020


A Fórmula 1 sempre foi uma espécie de clubinho fechado com início e fim em si mesma. Topo da cadeia do automobilismo há muitos anos, a categoria era o principal objetivo de 11 entre dez pilotos do mundo pelo glamour e as muitas vantagens em fazer parte desse clube. Nos últimos anos, principalmente o fim da gestão Bernie Ecclestone -- magnata britânico que transformou a F1 no que é hoje --, houve uma clara perda de interesse no grande público e só ficou mesmo os fãs mais fieis (e tão fiéis que são uma malas, às vezes).

Enquanto esporte -- sim, é esporte, nem vem --, a Fórmula 1 poderia se sustentar nesse modelo e depender apenas dos fanáticos? Provavelmente sim, mas o negócio precisa de mais gente acompanhando. É como a FIFA conseguiu fazer com a Copa do Mundo: é um torneio que, gostando ou não de futebol, muita gente acaba consumindo alguma coisa da competição ao longo do mês de realização. Pois com a troca da gestão, agora da americana Liberty, a intenção era transformar o esporte também em entretenimento. E nisso entra Drive to Survive, série-documental com toques de reality show, disponível na Netflix.
Foto: Netflix
Com depoimentos de pilotos, chefes de equipe, imagens das corridas e tudo que tem direito, a série conseguiu fazer com que a Fórmula 1 tivesse apelo junto a quem havia desistido ou nunca havia acompanhado a categoria. O motivo? Drive to Survive expõe, ainda que o mínimo do mínimo, os bastidores -- algo impensável uma década atrás. E como diria a música: é isso que o povo gosta/ é isso que o povo quer.

São duas temporadas lançadas e há diferença entre os materiais, e não é apenas mudanças entre pilotos e a passagem do tempo. A primeira temporada não contou com as presenças de Ferrari e Mercedes, as duas equipes mais ricas do grid, e isso fez com que a Red Bull tivesse muito destaque e acrescentasse o programa como mais uma peça de sua imensa propaganda para vender energético -- algo que o chefe de equipe Christian Horner deixou muito claro em um dos muitos depoimentos --, além do drama em saber se o australiano Daniel Ricciardo ficaria ou não para 2019 (spoiler: não ficou).

Mas a melhor parte da primeira temporada foi a guerra entre as equipes médias, também conhecida como "Fórmula 1 B", para conseguir a quarta colocação no Campeonato de Construtores -- em que as dez equipes brigam para ver quem fica com mais dinheiro. O drama da Haas, os questionamentos do retorno da Renault e a indefinição da Force India (futura Racing Point) fizeram da estreia um ponto de reflexão sobre como, no fim das contas, é uma competição muito desigual com pouquíssimas oportunidades para quem não pode gastar quantias obscenas de dinheiro para lutar por vitórias e títulos. Acabou servindo para humanizar quem está lá embaixo e valorizar a sede de luta por pontos.
Foto: Netflix
A segunda temporada estreou recentemente na plataforma de streaming e contou com Ferrari e Mercedes, ainda que não com uma imensa participação na série. O drama aumenta, claro, já que as duas equipes mais poderosas foram retratadas nos dias em que fracassaram veementemente em uma corrida. Mas a continuação traz mais guerra de egos do que na primeira, mostrando com bastante exatidão como é o mundo da Fórmula 1 de maneira geral.

Cada um no seu quadrado, seja o jovem britânico da Williams George Russell humilhado por andar nas últimas posições, seja a dupla da Ferrari Sebastian Vettel e Charles Leclerc iniciando um conflito para saber quem era o favorito da equipe, não existe gente boazinha na F1 e a segunda temporada mostra bem isso. Todo mundo quer ir bem, vencer corridas e conseguir o maior número de pontos. A segunda temporada deixa uma coisa bem clara: não existe mocinho ou vilão na F1; existe vencer e ponto final.

Por isso mesmo, a primeira temporada é ligeiramente superior por ter nas mãos o drama das equipes pequenas e médias e conseguir montar uma narrativa emocionante de vários pontos de vista. A segunda ainda é muito boa, mas falta alguma coisa que as equipes maiores não conseguiram preencher. Os grandes momentos são, de novo, de Haas e Renault.

No fim, é uma ótima série que você vai gostar sendo fã ou não de automobilismo. E vai ver que todo mundo ali parece ter um coração batendo no peito. Menos o Max Verstappen.

You Might Also Like

0 comentários

Post populares

Siga por email