Crítica: Os Quatro Paralamas

Os Quatro Palaramas está sendo exibido no É Tudo Verdade - 25º Festival Internacional de Documentários e faz parte da Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens.

Durante minha infância e adolescência, desenvolvi uma relação com a música brasileira ouvindo NovaBrasil FM quando saia de carro com meus pais. Minha "educação" musical começou com eles e carrego comigo até hoje lembranças maravilhosas que sempre vem acompanhadas de trilhas sonoras. Curiosamente, não tenho nenhuma grande lembrança envolvendo Os Paralamas do Sucesso, uma das bandas mais icônicas do país. Apesar disso, não lembro de um momento em que não soubesse os grandes clássicos da banda ou não aumentasse o volume quando uma música deles tocava no rádio.

Fui assistir Os Quatro Paralamas com a cabeça completamente vazia de qualquer informações que não fossem as músicas ou a memória do acidente de Herbert Vianna, quando eu tinha 11 anos. Dirigido por Roberto Berliner e Paschoal Samora, o documentário apresenta uma valiosa coleção de imagens da banda ao longo de quase quarenta anos de carreira. Muito desse material foi filmado pelo próprio Berliner, a pessoa perfeita para contar essa história para alguém sem informações como eu.

Foto: TvZERO

Entre inúmeras imagens nada perfeitas de arquivo, a própria banda e o empresário José Forte, o quarto Paralama, contam essa história cronologicamente, dando destaque para eventos e músicas significavas. Entrevistas antigas também servem de destaque para contextualizar quem eles eram e quem se tornaram depois de tanto tempo. Em um momento específico, Herbert comenta que as músicas da banda também ganharam novos contextos à medida que eles mudavam e suas realidades também.

Existe um enorme sentimento de amor em Os Quatro Paralamas. Amor entre os membros da banda, entre todos os amigos que estiveram com Herbert, Bi Ribeiro e João Barone desde os primeiros dias e os acompanham até hoje, entre os familiares que os ajudaram no início da carreira, como a Vovó Ondina e, especialmente, amor pelas pessoas que se foram prematuramente. Os Quatro Paralamas exala tanto amor que é impossível não sentir um pouco desse amor também.

Músicas como Cuide Bem do Seu Amor e Seguindo as Estrelas ganharam um novo significado para mim e se tornam muito maior do que apenas músicas bonitas que sei cantar. Depois de Os Quatro Paralamas, nunca mais verei a banda do mesmo jeito. E isso é ótimo. Obrigada Roberto Berliner por me proporcionar uma nova lembrança.