Crítica: Mamãe, Mamãe, Mamãe

Mamãe, Mamãe, Mamãe faz parte da seleção de filmes da  44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece de 22 de outubro a 4 de novembro de 2020.

Em uma impressionante estreia como diretora, a argentina Sol Berruezo Pichon-Rivière cria um bonito retrato da feminilidade e da perda em ciclos distintos da vida. Mamãe, Mamãe, Mamãe [2020] apresenta uma jovem menina que se afoga na piscina de casa, deixando sua mãe em luto pela perda e Cleo, a irmã mais velha, sem reação. Nos dias seguintes, Cleo passa o tempo com a tia e as três primas: Leoncia, Manuela e Nerida.

Com idades diferentes, cada jovem vive em um universo muito particular de brincadeiras infantis, rituais muito particulares, união e compartilhamento sobre as primeiras modificações corporais e comportamentais. Enfrentando os primeiros sentimentos de perda - e sem realmente ser capaz de expressá-los -, Cleo navega pelo universo de cada uma das primas, tentando assimilar a nova realidade e o medo da solidão.

Foto: Bomba Cine, Rita Cine

Mamãe, Mamãe, Mamãe é um filme muito doce sobre o complexo período de transição da infância para a adolescência de uma jovem que lida com o vazio criado pela morte da irmã. Entre pensamentos e lembranças, Cleo passa pelo processo de digerir uma perda tão dolorosa e prematura, enquanto a mãe deprimida não oferece o apoio emocional necessário para a filha. Mesmo a história sendo contada pelo ponto de vista da adolescente, o filme não aponta dedos ou acusa a mãe de abandono, mostrando que ela está reagindo como pode aos acontecimentos.

Pichon-Rivière criou uma história melancólica sobre os primeiros dias da perda e a união de uma família que se une perante a tragédia. Com uma trama simples, mas cheia de significados, Mamãe, Mamãe, Mamãe, se apoia em uma atmosfera de tristeza quase lúdica que torna o filme mais leve do que poderia ser. A câmera surpreendentemente espirituosa focada em Cleo e na relação com as primas, torna a história uma representação honesta do luto familiar. Mamãe, Mamãe, Mamãe é quase como um abraço sincero e muito necessário em uma família que precisa aprender como seguir em frente.