Crítica: O Rei Nu

 O Rei Nu está sendo exibido no É Tudo Verdade - 25º Festival Internacional de Documentários e faz parte da Competição Internacional de Longas e Médias-Metragens.

Em 1978, Andreas Hoessli foi para a Polônia para fazer um doutorado. Lá, ele fez amizade com o jornalista Ryszard Kapuscinski, que trabalhava como repórter cobrindo as manifestações no Irã na época. Pouco depois aconteceu a Revolução Islâmica no país e começaram os protestos na Polônia, que geraram o nascimento do movimento Solidariedade, o primeiro sindicato independente em um país do Pacto de Varsóvia. 40 anos depois, Hoessli relembra as grandes revoltas que ocorreram paralelamente.

Fugindo um pouco dos grandes protagonistas desses eventos, O Rei Nu [2019] se concentra em pessoas comuns que vivenciaram as duas revoluções e acreditaram que alguma mudança positiva realmente significativa poderia acontecer. Em alguns casos, existia uma fé quase utópica no futuro desses países. Entre depoimentos, imagens de arquivo e uma análise sobre as duas sociedades nos dias atuais, Hoessli constrói uma linha do tempo histórica a partir de assimilações muito particulares.

Talvez por isso, O Rei Nu tem um ritmo dolorosamente lento com as constantes reflexões do documentarista que não abrem espaço para o espectador pensar sozinho. Afinal, o que pensavam os jovens dos dois países nesse período? O que aconteceu com os jovens idealistas poloneses que viram o país se libertar após o colapso de um sistema opressor? Como esses eventos refletem nos dias atuais? O documentário peca em mostrar o lado polonês, mas se dedica em expor o lado iraniano sem grandes dificuldades. 

Foto: Mira Film

O Rei Nu será um desafio para quem não conhece a história dos dois países e não segue o noticiário de ambas as nações. É fácil analisar uma sociedade extremista, mas parece difícil para o cineasta apontar exatamente o que está errado em sociedades onde existem mais opiniões políticas polarizadas. Até por isso, o diretor consegue ser mais vocal sobre os iranianos do que sobre os poloneses.

Falta dinamismo na edição e no roteiro do documentário, que tornam o filme lento e um pouco frustrante. Infelizmente, as anotações de Hoessli sobre O Rei Nu disponíveis no site do filme são muito mais interessantes do que o documentário em si. Uma pena.