Crítica: Pari

Pari faz parte da seleção de filmes da  44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece de 22 de outubro a 4 de novembro de 2020.

Pari [2020] é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Siamak Etemadi, um cineasta nascido no Irã que mudou para Atenas em 1995 quando ainda era um estudante. O drama segue Pari (Melika Foroutan) e seu marido (Shahbaz Noshir), ambos muçulmanos devotos que viajam para visitar o filho Babak na Grécia pela primeira vez. Em um lugar desconhecido e falando apenas algumas frases em inglês, o casal se preocupa quando o filho não aparece para buscá-los no aeroporto de Atenas.

A partir daí, começa uma longa busca para encontrar pistas que pudessem levá-los a saber o paradeiro do filho, que está vivendo uma vida completamente diferente do que imaginavam e parece ter largado todos os costumes sociais e religiosos do país natal. Transtornada, Pari segue os passos de Babak pelos cantos mais complexos da cidade mesmo quando não existem mais pistas ou sinais confiáveis do filho.

Foto: Siamak Etemadi

Em entrevistas, Etemadi contou que o filme é uma "carta de amor para sua mãe", depois que ele perguntou o que ela faria se ele não aparecesse no aeroporto para buscá-la em uma visita. Pari, que dá nome ao filme, afirmou que o procuraria implacavelmente. Um reflexo da resposta da própria mãe, Etemadi criou um conto muito profundo sobre a intensa dedicação de uma mãe que não descansará sem saber onde está o filho perdido, mesmo que precise sair da zona de conforto e entrar em uma realidade assustadora e desconhecida.

Durante sua caminhada desgovernada, Pari encontra diferentes pessoas que incorporam experiências como imigrantes iranianos na Grécia. Ela mesma acaba personificando diversas dessas experiências clássicas como uma forasteira ao encontrar dificuldades de se comunicar pelas ruas de um país desconhecido. A diferença está em quão humana e intimista é a história contada por Etemadi ao explorar o desespero dessa mãe movida por uma determinação quase cega de encontrar seu filho.

A trama pouco se aprofunda em detalhes sobre a vida da protagonista, mas dá dicas importantes da relação entre mãe, pai e filho, que é fruto de um relacionamento de antes do casamento de Pari com Farrokh. Essa busca de Babak por seguir o próprio caminho, mesmo que ele não saiba as consequências das escolhas que fez, é um reflexo da vida que a mãe desistiu de ter para dar ao filho um futuro - ou uma honra.

Na procura obstinada por Babak, Pari assume o poder de conduzir sua vida e fazer as próprias escolhas em muito tempo. Gradualmente, ela segue uma trilha parecida com a do filho e se desprende de tudo o que conheceu para enfrentar um futuro incerto e, talvez, ser capaz de finalmente encontrar próprio caminho.